gamito.net

Segunda-feira
Set 24,2007

Tenho um belo monitor Fujitsu Siemens que um destes dias resolveu avariar ou pelo menos eu penso que estará avariado. É normal. Quem anda nestas coisas sabe que não há material informático que mais tarde ou mais cedo não tenha que ser substituído. Penso que aqui não será o caso uma vez que não sendo a última moda, cumpria bem o seu dever e julgo ainda estar dentro da garantia. E é logo aqui que começam as chatices.

Se está dentro da garantia, pega-se o bicho, leva-se à Vobis, que foi onde me ficaram com os 299 euros e procuramos por soluções. Ou se arranja ou recebemos um novo. É claro que precisamos da respectiva factura ou outro documento que comprove que realmente o comprámos. E agora, adivinhem lá, se eu tenho ou não essa factura!? Não sei, talvez tenha mas não sei onde. Sim, eu sei que as devia guardar religiosamente. Não há problema - pensei eu - vou lá e peço uma segunda via.

-Boa tarde!
-Boa tarde. Em que posso ajudá-lo! - disse o rapaz novo, tímido.
- É o seguinte: eu adquiri nesta loja, há cerca de um ano e meio, mais ou menos, um monitor TFT do qual perdi a factura e gostaria de saber como se processa o pedido da segunda via.
- Só um momento - disse ele já de saída para perguntar.
- Sabe o número de factura?
- Não - disse eu, já desconfiado de que isto não ia correr bem - isso foi há mais de um ano. - continuei eu, ainda esperançado de que aquilo fosse apenas uma informação complementar, que iria facilitar a impressão da segunda via.
- Ah … mas é que só dá com o número.

E disse-me isto já meio condescendente, como se eu tivesse esquecido a minha data de nascimento e estivesse mesmo a precisar de ser reprimido por isso. Ainda fiz mais um esforço para tentar chamá-lo à realidade.

- Mas é mesmo o número da factura que quer?
- Sim, sim.
- Então e é normal as pessoas que perdem as facturas virem aqui e saberem o número das facturas que perderam de cor?

Acho que só aqui é que o rapaz se apercebeu do sarilho em que estava metido, ou pelo menos, o que eu pude perceber da expressão dele foi algo do género: “Olha que realmente, então e agora como é que isto se faz? Que estupidez”

E então, volta a ir ter com a colega e pergunta mais alguma coisa que eu não ouvi bem e volta.
- Também pode ser com a data - diz ele com ar de quem salvou o dia - se me souber dizer o dia em que fez a compra eu vou aos dossiers e devo encontrar …

Perante isto não pude deixar de sorrir. Tenho a certeza de que foi um sorriso irónico, amarelo e talvez até meio parvo.

- Então não tem um arquivo digital? Se eu lhe der o meu nome ou o número de contribuinte ou o número do cartão com que paguei, não consegue localizar esse movimento no seu software de facturação? E com a marca e modelo do equipamento? E o número de série? Posso ir a casa e …
- Só papel! Temos tudo organizado em dossiers.
- Organizado por datas?
- Sim. Não tenho outra forma de lhe localizar esse registo.
- Então se é só por datas, de que serviria se eu, por acaso, tivesse decorado o número da factura? - toma lá que já almoçaste, pensei eu.
- De nada. - responde com toda a tranquilidade - Não serviria de nada porque temos tudo organizado por datas.

E ainda lhe devo ter dito mais algumas coisas e outras que não disse, devo ter expressado facialmente embora não me lembre de quais.

Close
Hoje percebi a frustração do capitão.
Não seria de esperar que uma cadeia de lojas especializadas em Informática e com o slogan “Informática para todos, tudo para informática”, tivesse uma solução de gestão digital destes documentos? É um input field onde se escreve o número de contribuinte ou o telemóvel ou outro dado que identifique o cliente ou a compra, que depois apresenta uma listagem devolvida por AJAX, onde podemos clicar caso apareça um registo relevante e depois nos mostra uma página com os detalhes da compra e um botãozinho com um ícone de uma impressora a dizer “IMPRIMIR”. Depois, é preciso ir lá alguém buscar a folha à impressora, não vá dar-se o caso de alguém estar a ler isto e depois esquece-se de implementar esse passo. Já estou mesmo a ver eu e um funcionário da Vobis, num futuro próximo, depois de ele ter impresso a 2.ª via da factura:

- Posso ajudá-lo em mais alguma coisa?
- Só falta a factura - digo eu a brincar, pensando que ele se esqueceu
- Qual factura?
- A factura.
- ?????
- A segunda via! - já mais alto, para ver se o acordo.
- Ahhhhhhh! Não lha posso dar.
- Mas ela está ali - digo eu - estou a vê-la!
- Gostava de o poder ajudar!

Conclusão: só consegue pedir a segunda via de uma factura quem já tiver uma e isso só tem utilidade numa situação muito específica. Fora isso, não há grande divertimento em ir à Vobis pedir uma segunda via só por pedir. Não é uma coisa que se coleccione.

Portanto, aqui fica um conselho de amigo: se quiserem comprar alguma coisa na Vobis e ter a certeza de que terão a factura para efeitos de garantia, ou a guardam religiosamente (e eu até aconselho a digitalizar e enviar cópias para familiares e amigos que usem contas de e-mail de diferentes ISPs, geograficamente dispersos pelo globo) ou então, se desconfiarem que ela pode arder num incêndio, juntamente com as cópias digitais que possam ter, certifiquem-se que fazem a compra numa data enesquecível, de preferência datas de aniversário de amigos ou feriados que não sejam móveis. A data de aniversário da namorada e os feriados móveis, nesta matéria, são um perigo ou porque nos esquecemos ou porque eles se “movem.”

Agora já sei porque é que as pessoas compram/pedem estas coisas na sua data de anos e no dia 25 de Dezembro. Precisamente por ser o seu aniversário e por ser o nascimento do Redentor. Lá está, duas datas inesquecíveis.

  • 5 Comentários | 800 Views
  • 12345 (5 votes, average: 4.8 out of 5)
    Loading ... Loading ...
    Segunda-feira
    Set 24,2007

    Hoje em dia, com a facilidade de acesso à informação, é cada vez mais comum lermos textos que foram copiados de outro sítio qualquer. Acontece muito em blogs mas, também acontece em notícias de jornais (mais ou menos) conceituados e acontece também em trabalhos de alunos do ensino superior.

    O acesso à Internet não só facilita o acesso a muita informação como também facilita o próprio acto de copiar. É muito mais difícil copiar uma frase de um livro do que fazer a cópia integral do texto desse livro se ele estiver publicado online, no Projecto Gutenberg, por exemplo. Mais fácil do que CTRL+C e depois CTRL+V, é difícil. Até um macaco o conseguiria fazer.

    A Wikipedia é talvez a grande fonte de informação usada pelos alunos para trabalhos académicos e também por alguns blogguers. Mas afinal, quem é que escreve os artigos da Wikipedia? O problema da confiabilidade da informação é, normalmente, descurado por quem copia. Ainda há pouco tempo, num trabalho de alunos do ensino superior, li um texto brasileiro cheio de calão, piadas do autor e até alguns smileys. Como há professores que não lêem (na integra) os trabalhos que lhes são entregues, esses “crimes” acabam por passar e mesmo quando são descobertos, a punição não se aplica ou é leve o suficiente para se poder voltar a correr o risco. Naturalmente, os estudantes criam maus hábitos e nunca chegam a aprender a fazer uma consulta ou referências como deve ser e, sobretudo, não percebem a gravidade daquela irresponsabilidade. A longo prazo, naturalmente, isso não vai dar boa coisa, sobretudo para os próprios e para as instituições que representarem, podendo arruinar carreiras.

    No caso da Wikipedia, são famosas situações em que alguém redigiu artigos com o único propósito de veicular informação errada. O caso Seigenthaler é talvez o mais famoso mas sobre isto, também pode ser interessante ler sobre The Isuzu Experiment

    Close
    A retaliação da comunidade blogger brasileira
    É sobretudo o problema da confiabilidade que podemos observar neste vídeo

    publicitário brasileiro de promoção ao estadao.com.br. Gerou polémica. Para além do Bruno, acho genial o diagrama que se pode ver atrás dele. Faz copy e paste e recebe uma banana. Depois volta ao mesmo. E para que é a consulta? Precisamente, um trabalho académico …

  • 0 Comentários | 435 Views
  • 12345 (2 votes, average: 4 out of 5)
    Loading ... Loading ...
    Segunda-feira
    Set 24,2007

    O iSlide é uma proposta de Tal Ofir, bem ao estilo do Segway. A forma de utilização é simples, tal como mostra a figura. É algo que se posiciona entre o skate e o snowboard. Para aumentar a velocidade, basta inclinar o corpo para a frente e para reduzir, para trás.

    Close
    islide
    A velocidade máxima desta geringonça seria aproximadamente 15 KM/hora e seria alimentado por uma célula de hidrogénio. Eu estou a repetir o “seria” porque efectivamente o seria se não fosse apenas um trabalho final do tal Tal Ofir, um aluno de design de Jerusalem.

    Será que se for produzido funcionará mesmo? Seja como for, e tal como muitos outros gadgets, o conceito está inventado. Agora vamos todos pensar com força e descobrir para que é isto serve.

    Pode ser engraçado se tivermos 14 anos e quisermos impressionar uma miúda.

    Mas se não for esse o caso e quiserem mesmo ter um, parece que houve alguém que construiu um de raiz. E este, aparentemente, funciona mesmo. No website, encontram fotografias e uma lista de material com algumas instruções. Fica também o vídeo onde se mostra a máquina em funcionamento.

    Close
    Monociclo Motorizado
    Ideia semelhante é a construção de um monociclo com motor. A julgar pela quantidade de gente preguiçosa e alérgica ao suor que por aí anda isto pode muito bem ser o futuro dos transportes, como se pode ver logo no início do vídeo.

    Qualquer dia, subimos para uma bicicleta e uma voz robotizada pergunta para onde queremos ir. E nós respondemos, “siga aquele táxi”. Nem vai ser preciso manter o equilíbrio porque nessa altura já todas sairão de fábrica com EESC (Electronic Equilibrium and Stability Control - acabei de inventar). Enfim, modernices.

  • 0 Comentários | 726 Views
  • 12345 (2 votes, average: 4.5 out of 5)
    Loading ... Loading ...

    USB

    Sexta-feira
    Set 21,2007

    Close
    Monitores USB da Samsung - http://www.dcviews.com/press/Samsung-UbiSync.htm
    Já estamos habituados a ver cabos USB um pouco por toda a parte, mais especificamente em dispositivos informáticos e gadgets mais ou menos difíceis de categorizar. Agora, a Samsung inovou e apresentou um monitor que pode ligar-se apenas por USB. Se a moda pegar o USB pode vir a substituir de vez o VGA e também o DVI.

    Com o monitor USB podemos ligar até 6 outros monitores o que é mais do que suficiente para o comum dos mortais. Com a chegada do USB 3.0 no primeiro semestre de 2008 já anunciada pela Intel e com o Wireless USB já na versão 1.1, é provável que o cabo mágico venha a ganhar novo fôlego. Quem já deve estar a fazer contas é a Apple que, fã do firewire, agora é fornecida pela Intel e portanto, poderá vir a ser “obrigada” a mudar para o USB. A taxa de transferência será sensivelmente 10 vezes superior, mas para conseguir isto, provavelmente, o tamanho máximo dos cabo terá de passar de 5 (USB 2.0) para 3 metros. Felizmente, nem a velocidade nem estes 2 metros a menos interessam muito no caso de um monitor.

    Por mim, óptimo. Já que as radiações electromagnéticas parecem fazer mesmo mal à saúde, sendo uma importante desvantagem das tecnologias wireless, então venha o USB.

    Por falar em Apple e monitores, lembrei-me do Al Gore, que muito consideram o pai político da Internet e agora, anda a correr o mundo, “dando” palestras sobre ecologia e em especial chamando a atenção para o aquecimento global e outras alterações climáticas. Dando é como quem diz Ora, avaliando a quantidade de ACDs (Apple Cinema Displays)

    Close
    Apple Cinema Displays
    que se pode ver na foto, ele deveria começar a preocupar-se com o aquecimento global do seu escritório. É claro que, se o resto do mundo começar a reduzir, reciclar e reutilizar, os americanos podem tirar proveito da margem que se conquista. Ainda por cima, apesar dos esforços, esta maçã bem podia ser mais verdinha.

    E então, estava eu a escrever este artigo e lembrei-me: “qualquer dia vou ao médico e ele ausculta-me de com um estetoscópio USB, ligado a um LCD touch-screen. E então, lembrei-me que já outro maluco qualquer deve ter tido essa ideia. E sim, já existe. Não consegui apurar se realmente tem a ligação ao LCD touch-screen, mas pelo menos liga-se ao PC, com colunas e tudo. :) E entretanto encontrei uma página onde há algumas invenções que rodam à volta do USB.

    Close
    Seringa USB
    Sugiro um olhar atento para a seringa USB , um item que em conjunto com o estetoscópio USB, faz um kit de instrumentos “médicos” Plug and Play.Para já, penso que em termos de usabilidade a seringa ainda tem muito para caminhar mas, quem sabe se um dia destes até os seres humanos e animais em geral não terão, algures no seu corpo, uma entrada USB, Firewire ou algo semelhante.

  • 0 Comentários | 461 Views
  • 12345 (2 votes, average: 4.5 out of 5)
    Loading ... Loading ...

    I’m Back

    Sexta-feira
    Set 14,2007

    É com profundo pesar que hoje me apresento aqui perante vós. Eu sei que eu devia ter aprovado aqueles comentários. Eu sei que eu devia ter escrito mais mas eu sou assim, um bocadito tímido.

    Mas ontem não. Ontem, levantei-me e tomei logo uma decisão que ia mudar a minha vida para sempre por mais que ela me exigisse sacrifícios: adiar para hoje um pedido de desculpas aos meus 8 leitores que eu sei que visitam o meu blog de 5 em 5 minutos nos últimos 5 meses e encontram tudo igual à excepção daquela noite em que eu mudei de skin 27 vezes. Seguidas, ainda por cima! Portanto, isto até tem tido movimento, seria um exagero dizer que isto tem estado parado.

    De maneira que cá vai: sorry.

    Entretanto, devo dizer que recebi nos meus 2 posts 69 comentários. Ora o Iurí, enviou-me dois comentários exactamente iguais a dizer que tinha um negócio sólido, bem sucedido, há vários anos, na Bulgária. Um negócio de venda de comprimidos ilegais dos quais ele me ofereceu e até deixou links. Apesar disso, ele queria saber se eu sabia de alguém que contratasse pessoas para as obras. Desculpa Iurí. Eu sei o quanto pode ser chato alguém de leste tentar vender comprimidos ilegais e arranjar trabalho em Portugal.

    Depois alguém não identificado, começava por me informar que a Ásia era um continente muito grande, com vários países, sendo que em alguns dos quais a prostituição é legal e como tal, é vasta a oferta de prostitutas de qualidade (independentemente do que isso possa significar). Depois vinham alguns links com palavras marotas nos quais eu nunca cliquei.

    O utilizador HHGFUUHTYS ofereceu-me um pacto tenebroso. Olha pá, obrigado sim!? Já me sinto um apresentador daqueles programas da RTP onde os presidentes de junta levam a família a passear e estes oferecem os produtos da terra ao anfitrião. A mim calham-me pactos tenebrosos. Ficas muito chateado se eu não aceitar?

    Os outros 63 comentários eram, com toda a certeza, de pessoas que não me conhecem uma vez que ofereciam/vendiam uma parafernália de instrumentos que permitiam alargar várias partes do meu corpo.

    E no meio disto tudo havia um comentário de um aluno que me disse que era bom ler blogs dos professores. Ok, muito obrigado pelo incentivo. No entanto, que não se pense que aqui se aprende alguma coisa!

    Ao contrário, aqui http://workshops.45graus.net pode aprender-se alguma coisa.

  • 1 Comentário | 402 Views
  • 12345 (1 votes, average: 4 out of 5)
    Loading ... Loading ...